É bobagem eu dizer que amei por nós dois, eu amei por mim
só, eu amei porque eu quis, porque te quis muito. Nunca neguei. Sou dessas, não
nego, nem fogo, nem sentimentos, mergulho de cabeça em pessoas rasas ou não, me
entrego em tudo, deixo um pouco de mim em cada coisa em que coloco atenção e me
dou, e dôo.
Porque dói, quando você abre as portas, as janelas, coloca
flores na varanda do coração e serve seu melhor café, e a pessoa não se
interessa. Talvez goste, mas não o suficiente para ficar. Me pergunto o que
fazem com o pedaço de mim que fica, ou se nem notam, levam arrastando igual
cadarço desamarrado até gastar.
A verdade é que eu te inventei, te escolhi a dedo, porque
sim. Porque às vezes a vida é um pouco de comédia romântica, a gente esbarra em
alguém e já ta pensando no beijo debaixo da chuva. Teve até trilha sonora
quando te vi e era algo como Snow Patrol. Me apaixonei como quem se apaixona
num filme, sem muita explicação, só porque se quer. Alguém.
Mas você não seguiu meu roteiro, éramos para ser um casal alternativo
com falas divertidas e programas inesperados. De inesperado só o gelo que você
me deu. Mas eu entendo e não te culpo, porque o seu eu inventado era um pedaço
meu que você ia desmontando aos poucos mostrando quem você é e que eu não quis
ver. Agora sobrou só você de verdade, real, com todos os seus defeitos e
mancadas, e essa não é pessoa por quem eu me apaixonei.
Erro meu, me apaixonei pela ideia que fiz de você, como
posso querer que você se apaixone por mim? A gente se perdoa e segue em frente,já
abri as portas e janelas para o sol entrar, vou comprar flores e fazer um café
para mim.
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