Quando eu era criança depois de uma bronca daquelas minha mãe me dizia para engolir o choro, e gente, era difícil. Ás vezes, quase sempre, saía uns soluços e dava uma raiva imensa, porra mãe! Mal sabia eu quantas vezes eu diria isso pra mim mesmo, todos os dias eu engulo um choro.
Porque ser adulto é assim, a gente engole o choro pra sair da cama independente se tá 2º lá fora, se tá caíndo o mundo de chover, ou se tá um dia tão lindo que merecia andar de bicicleta e ficar fazendo fotossíntese ao sol. Porque você tem seu emprego, que paga suas contas, que te permite viver, viver! Engole mais um choro.
A gente engole o choro porque nada saiu como planejávamos, porque você tá 27 anos nas costas e não arrumou o emprego da sua vida, não comprou o seu carro, não viajou pra Paris, ou Irlanda, tanto faz. Você não realizou nada grande, sua maior conquista é chegar ao fim do mês com a conta positiva. E seus amigos estão de casa nova, filho novo, carro novo, o máximo que você consegue é um corte de cabelo novo.
A gente engole o choro porque o dia foi uma merda no serviço, você não rendeu nada, seu chefe deu um esporro daqueles, e você nem pode se defender. Você chega tão esgotado em casa que não engole mais choro nenhum, e a gente chora que amanhã tem que batalhar de novo, render de novo, fazer o que você é pago de novo, engolir sapos de novo.
A gente engole o choro e engole todos os sentimentos junto, porque você não pode depender de ninguém, você não pode gostar demais, até pode, só não pode demonstrar. Engole esse sentimento menina. Engole esse orgulho. Engole esse seus sonhos. Engole suas vontades. Engole quem você é.
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