Your heart has never been broken
Your pride has never been stolen
Not yet, not yet
One of these days
I bet your heart'll be broken
I bet your pride'll be stolen"
These Days - Foo Fighters
Eu me
perguntava como seria te ver novamente. Você estaria sozinho ou acompanhado?
Será que voltariam à tona as borboletas no estômago e o chão se abriria sob
meus pés, no efeito do meu joelho virando gelatina? Aquela sensação de
vulnerabilidade, como estar parada de braços abertos no meio da rua só
esperando o choque violento de quando você me atropela e me arrasta para sua
vida. E agora você está aqui na minha frente e eu não sinto nada, ou não sei
como me sentir assim, pega de surpresa.
Você me
sorri e diz como é bom me ver, e eu sei que isto é verdadeiro, e eu te abraço e
digo que estou feliz em te ver também. Eu estou, não estou? Mas tem algo
diferente, o cabelo ou a barba talvez... Você me pede para não sumir novamente
e eu me pergunto quando foi que eu sumi, sério mesmo? Eu ando pelos mesmos
lugares, com as mesmas pessoas, eu sempre estive aqui, você quem sumiu. É, eu imaginei,
o problema é seu emprego, seu super emprego de gente importante, na sua vida
super interessante, você é incrível mesmo. Deviam bater palmas para você agora.
Peraí,
vou pegar uma bebida. Preciso respirar, processar toda a informação. E você vem
atrás me mim. Me deixa, eu preciso de ar, não, não estou me sentindo bem.
Esquisita? Sim, estou me sentindo meio esquisita. E sua amiga aparece, caramba,
ela é linda, linda mesmo nesse um e setenta de loirice, rosto perfeito e estilo
em todo o restante, ela realmente faz o seu tipo, mais do que eu. Fumar? Não,
pode ir. Até.
Um suco
de maracujá, por favor.
Nem terminei
o copo e você volta, não é que isto fosse novidade, oi o que você disse?
"Essa
é uma boa música para um beijo de recomeço."
Não,
não mesmo. Não pela música, mas pelo beijo, eu não quero beijar você. Claro que
foi bom o que tivemos, foi bem legal aliás, eu era completamente louca por você
(cega talvez). Mas passou, não acho que vá voltar assim de uma hora pra outra,
eu já tinha me acostumado a ficar sem você. Não, eu não te odeio, mas se você
ficar forçando a barra para me beijar talvez eu passe a odiar.
"Me
manda uma mensagem amanhã me chamando para fazer algo."
Eu duvido
muito que eu vá mandar. Olho para minhas amigas pedindo socorro, quem é este
cara? Tirem ele daqui por favor. E você me olha com raiva, joga na minha cara o
quanto sua amiga linda tá afim de você e você perdendo seu tempo. O meu tempo
também querido.
E eu
vejo aquele estranho indo embora. Mas não foi ele quem mudou, fui eu, que agora
posso ver as engrenagens encaixando, todo seu joguinho se delineando em
frente aos meus olhos, eu desvendei a Matrix, o jogo de caras como você que eu encontrei a minha vida
toda, que eram tão incríveis e maravilhosos, que eu acabava sendo um assunto desinteressante.
Eu na minha vida comum, de beleza mediana, uma garota engraçada, com uma
inteligência ácida, entediante para seus padrões que eu tentava inutilmente
alcançar.
Ou
caras que sempre viram o melhor em mim. Não por admiração, mas por medo de
enfrentar o pior de mim. Então tentavam me podar, moldaram na mente deles uma
visão melhorada de mim e queriam que eu seguisse o roteiro.
E eu
mereço mais do que isto, eu mereço alguém legal. E tudo bem ficar sozinha
enquanto este cara não vem. Tudo bem também conhecer outras pessoas e tentar e
quebrar a cara de novo. E tudo bem eu não saber exatamente quem eu quero,
porque agora eu sei o que eu não quero.
Eu não
quero mais você.