segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Eu não quero (mais) você

"Easy for you to say
Your heart has never been broken
Your pride has never been stolen
Not yet, not yet
One of these days
I bet your heart'll be broken
I bet your pride'll be stolen"
These Days - Foo Fighters

                Eu me perguntava como seria te ver novamente. Você estaria sozinho ou acompanhado? Será que voltariam à tona as borboletas no estômago e o chão se abriria sob meus pés, no efeito do meu joelho virando gelatina? Aquela sensação de vulnerabilidade, como estar parada de braços abertos no meio da rua só esperando o choque violento de quando você me atropela e me arrasta para sua vida. E agora você está aqui na minha frente e eu não sinto nada, ou não sei como me sentir assim, pega de surpresa.
                Você me sorri e diz como é bom me ver, e eu sei que isto é verdadeiro, e eu te abraço e digo que estou feliz em te ver também. Eu estou, não estou? Mas tem algo diferente, o cabelo ou a barba talvez... Você me pede para não sumir novamente e eu me pergunto quando foi que eu sumi, sério mesmo? Eu ando pelos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, eu sempre estive aqui, você quem sumiu. É, eu imaginei, o problema é seu emprego, seu super emprego de gente importante, na sua vida super interessante, você é incrível mesmo. Deviam bater palmas para você agora.
                Peraí, vou pegar uma bebida. Preciso respirar, processar toda a informação. E você vem atrás me mim. Me deixa, eu preciso de ar, não, não estou me sentindo bem. Esquisita? Sim, estou me sentindo meio esquisita. E sua amiga aparece, caramba, ela é linda, linda mesmo nesse um e setenta de loirice, rosto perfeito e estilo em todo o restante, ela realmente faz o seu tipo, mais do que eu. Fumar? Não, pode ir. Até.
                Um suco de maracujá, por favor.
                Nem terminei o copo e você volta, não é que isto fosse novidade, oi o que você disse?
                "Essa é uma boa música para um beijo de recomeço."
                Não, não mesmo. Não pela música, mas pelo beijo, eu não quero beijar você. Claro que foi bom o que tivemos, foi bem legal aliás, eu era completamente louca por você (cega talvez). Mas passou, não acho que vá voltar assim de uma hora pra outra, eu já tinha me acostumado a ficar sem você. Não, eu não te odeio, mas se você ficar forçando a barra para me beijar talvez eu passe a odiar.
                "Me manda uma mensagem amanhã me chamando para fazer algo."
                Eu duvido muito que eu vá mandar. Olho para minhas amigas pedindo socorro, quem é este cara? Tirem ele daqui por favor. E você me olha com raiva, joga na minha cara o quanto sua amiga linda tá afim de você e você perdendo seu tempo. O meu tempo também querido.
                E eu vejo aquele estranho indo embora. Mas não foi ele quem mudou, fui eu, que agora posso ver as engrenagens encaixando, todo seu joguinho se delineando em frente aos meus olhos, eu desvendei a Matrix, o jogo de caras como você que eu encontrei a minha vida toda, que eram tão incríveis e maravilhosos, que eu acabava sendo um assunto desinteressante. Eu na minha vida comum, de beleza mediana, uma garota engraçada, com uma inteligência ácida, entediante para seus padrões que eu tentava inutilmente alcançar.
                Ou caras que sempre viram o melhor em mim. Não por admiração, mas por medo de enfrentar o pior de mim. Então tentavam me podar, moldaram na mente deles uma visão melhorada de mim e queriam que eu seguisse o roteiro.
                E eu mereço mais do que isto, eu mereço alguém legal. E tudo bem ficar sozinha enquanto este cara não vem. Tudo bem também conhecer outras pessoas e tentar e quebrar a cara de novo. E tudo bem eu não saber exatamente quem eu quero, porque agora eu sei o que eu não quero.

                Eu não quero mais você.