Um dia eu resolvi parar de fugir e abracei a solidão. Nos
tornamos grandes amigas, com ela li muitos livros, vi vários filmes, conheci
bandas incríveis. Ela me fez enxergar que nascemos chorando e morremos
sozinhos, que o caminho é longo e por longos trechos estaremos sós e ela será a
única que estará lá para segurar a nossa mão. E a mão dela é gelada e áspera. Os
afagos da solidão cortam como lixas, você não espera que ela passe a mão na sua
cabeça e diga que vai ficar tudo bem, pois ela conhece o fim de todos nós.
Acontece assim: em um momento você percebe que virou uma
concha, e foi se fechando. Interiorizando seus pensamentos, não respondendo aos
convites dos amigos, trancando a alma num quartinho com um gigante vazio. E se
pega sentado com a solidão perguntando como vai ser.
E de repente todas as possibilidades aparecem em sua frente,
você é incrível e não precisa de ninguém. Você não deve satisfações. Você
trabalha, ganha seu dinheiro, tem seu próprio carro e pode ir e vir para onde
bem entender. Então dedica seu tempo aos grandes gênios, lendo, vendo os
clássicos, ouvindo boa música. Porque você é um deles, você é uma pessoa que
vive sozinha por opção. Você não deve nada a ninguém!
Mas, a solidão ri da sua cara e te dá um golpe na boca do
estômago. Você sente a ânsia e o gosto em sua boca é de que a vida é amarga.
Você é um cachorro que caiu do caminhão de mudanças, você percebe que está
sozinho e sente pena de si mesmo, ninguém te entende, ninguém te conhece. E
passa o tempo dormindo, vivendo uma realidade construída por e para você.
Então você sente o toque gelado, e a solidão diz que você
passou no teste. Agora você sabe viver sozinho e entende que a vida não é uma
festa. Que não é saindo todo o fim de semana que irá preencher o vazio. E que
repelir todas as pessoas não leva a lugar algum. Você aprendeu que é um ser
humano completo, que existe uma voz dentro de você que só dá para ser ouvida
quando se está sozinho e ela te aponta a melhor direção, que a maioria das
decisões você tomará por conta própria, que as pessoas vêm e vão e você não
deve se culpar por isso.
Você finalmente aprende que é um ser sozinho, e que isto significa
que você é único. Não existe um par para te completar, você não é um
quebra-cabeças. E então para de procurar a outra metade e todas as bobagens
sobre felicidade que te ensinaram. Você cria a suas próprias regras e aprende a
ser feliz a seu modo. Começa então a buscar pessoas completas, pessoas também
únicas que terão o caminho cruzado com o seu, mas que irão embora em algum
momento, mas agora você sabe que o que importa é caminhada em si.