segunda-feira, 16 de junho de 2014

People come and People go...

     Um dia eu resolvi parar de fugir e abracei a solidão. Nos tornamos grandes amigas, com ela li muitos livros, vi vários filmes, conheci bandas incríveis. Ela me fez enxergar que nascemos chorando e morremos sozinhos, que o caminho é longo e por longos trechos estaremos sós e ela será a única que estará lá para segurar a nossa mão. E a mão dela é gelada e áspera. Os afagos da solidão cortam como lixas, você não espera que ela passe a mão na sua cabeça e diga que vai ficar tudo bem, pois ela conhece o fim de todos nós.
     Acontece assim: em um momento você percebe que virou uma concha, e foi se fechando. Interiorizando seus pensamentos, não respondendo aos convites dos amigos, trancando a alma num quartinho com um gigante vazio. E se pega sentado com a solidão perguntando como vai ser.
     E de repente todas as possibilidades aparecem em sua frente, você é incrível e não precisa de ninguém. Você não deve satisfações. Você trabalha, ganha seu dinheiro, tem seu próprio carro e pode ir e vir para onde bem entender. Então dedica seu tempo aos grandes gênios, lendo, vendo os clássicos, ouvindo boa música. Porque você é um deles, você é uma pessoa que vive sozinha por opção. Você não deve nada a ninguém!
     Mas, a solidão ri da sua cara e te dá um golpe na boca do estômago. Você sente a ânsia e o gosto em sua boca é de que a vida é amarga. Você é um cachorro que caiu do caminhão de mudanças, você percebe que está sozinho e sente pena de si mesmo, ninguém te entende, ninguém te conhece. E passa o tempo dormindo, vivendo uma realidade construída por e para você.
     Então você sente o toque gelado, e a solidão diz que você passou no teste. Agora você sabe viver sozinho e entende que a vida não é uma festa. Que não é saindo todo o fim de semana que irá preencher o vazio. E que repelir todas as pessoas não leva a lugar algum. Você aprendeu que é um ser humano completo, que existe uma voz dentro de você que só dá para ser ouvida quando se está sozinho e ela te aponta a melhor direção, que a maioria das decisões você tomará por conta própria, que as pessoas vêm e vão e você não deve se culpar por isso.
     Você finalmente aprende que é um ser sozinho, e que isto significa que você é único. Não existe um par para te completar, você não é um quebra-cabeças. E então para de procurar a outra metade e todas as bobagens sobre felicidade que te ensinaram. Você cria a suas próprias regras e aprende a ser feliz a seu modo. Começa então a buscar pessoas completas, pessoas também únicas que terão o caminho cruzado com o seu, mas que irão embora em algum momento, mas agora você sabe que o que importa é caminhada em si.