terça-feira, 30 de setembro de 2014

Eu não sou Romeu

    Eu nunca vou te entender, ainda que eu leia todos os seus textos, e fale com você 12 horas por dia via whatts, mesmo que eu questione suas amigas e pergunte sobre você para sua mãe. Você não consegue manter uma linha de emoções e pensamentos, é o novelo de lã mais bagunçado que eu já vi na minha vida. Ainda assim você dá uma bela colcha de retalhos. Mas dá um trabalho do caramba desatar todos esses nós que você tem, você já foi tão bagunçada em sua vida garota, que eu não sei se você tem conserto. Você tem um furacão de estimação dentro dessa sua cabeça brilhante, que parece mais uma cartola de mágico, eu nunca sei o que vai sair daí.
    Eu queria poder te chacoalhar e dizer que você é uma louca, que faz tudo errado e bagunça tudo e todo mundo que tá em volta de você. Mas aí você me faz rir, e eu esqueço a raiva que eu sentia. Eu sei que em algum lugar dessa bagunça aí tem um coração, mas eu não sei se eu vou conseguir chegar nele, e você também nunca me contou quem algum dia conseguiu alcançar. Sei que seu coração foi partido mais de uma vez, quando você diz que não lembra mais posso ver um trincado no seu semblante de menina de bem com a vida, então você muda de assunto e me deixa falando sozinho. A cada dia você é uma página em branco, às vezes eu acho que convivo com milhares de você assumindo o controle do mesmo corpo de tempos em tempos. O que é uma ideia meio maluca, acho que no fim das contas estou me influenciando.
    Você tem um sorriso lindo, e cativa todas as pessoas que se aproximam, mas só quem convive com você todos os dias sabe como é andar nessa montanha russa. Você não é tão inteligente quanto pensa, e tenho vontade de recitar Tabacaria inteiro só pra ver a sua cara pasma ao perceber que eu não sou tão burro quanto você pensa. Você senta no seu trono recitando Leminski e Bukowski, mas chora que nem criança perdida no supermercado quando vê os filmes de romance mais açucarados já produzidos. E você lê John Green, em um dia se deixar! Sério, como você pode gostar tanto de livros adolescentes? No fim das contas você não cresceu mesmo, mas eu esqueço isso quando você coloca aquele seu vestido preto e resolve me mostrar o sutiã novo que você comprou, porque é tarada por lingeries bonitas. Não vou reclamar. Mas, nunca entendi muito bem como você passa tanto tempo sem fazer sexo sendo que é uma das pessoas mais taradas que eu conheço. Você é a contradição em pessoa, você odeia dirigir, mas na volta da balada fica dando voltas na cidade sozinha como se estivesse num filme. Você diz que não curte álcool, mas é só você não ser a motorista da vez que acaba com o álcool do mundo. Pelo menos você parou com a mania besta de mandar mensagem e ligar para os outros bêbada. Mas, eu sinto falta até disso, porque era um dos poucos momentos em que você se declarava de verdade pra mim.
    Você escreve seus milhares textos e eu nunca percebi que algum foi para mim, eu não mereço um texto é isso? Porque no fim das contas você é covarde e orgulhosa. Você morre de medo de que eu me torne o seu namorado, qualquer dia vão fazer um filme sobre você e esse seu pânico de relacionamentos. Você acha o amor lindo, mas ele só serve se for para sua família ou seus amigos, ou em qualquer coisa que você chame de romance. Só que você não deixa existir romance nenhum na sua vida. Você ama na teoria, mas na prática você morre de medo, como aquele pânico que você sente toda vez que tem que fazer as malas porque sabe que vai em direção ao desconhecido. E se você não jogar as tranças dessa torre Rapunzel, vai apodrecer sozinha, gorda e criando gatos como você mesma diz. Então deixa de ser essa Julieta porque hoje em dia ninguém mais morre de amor, e eu não sou nenhum Romeu.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Eu comi o bolo que você me deu

    A conversa fluiu a semana toda, ficou subentendido vontade de se verem no fim de semana, e Tim Maia que já conhecia bem a sensação vira trilha sonora na mente porque “A semana inteira fiquei esperando pra te ver sorrindo, pra te ver cantando”. E no fim das contas a gente só quer é amar mesmo, ainda que esteja difícil hoje em dia. Mas, enfim é sexta-feira, e inicia o cronômetro da ansiedade assim que acaba o expediente e sua amiga de trabalho te sorri marota. Afinal de contas ela sabe, o porteiro sabe, todo mundo sabe, que o fim de semana promete.
    E isso porque existem regras não escritas sobre os encontros, e o mais importante deles é saber o dia e o jeito certo de convidar. Parece neurose feminina, mas estudos realizados com duas amigas e minha experiência pessoal apontam que eu sei do que eu estou falando. Ainda que a sexta-feira não seja um dia ideal, já que como todo mundo sabe o sábado é o dia mais importante da semana. Um encontro casual na sexta é ótimo para reservar o sábado. Vale sair para tomar uma cerveja, comer uma pizza, só não vá ao cinema se for o primeiro encontro. Essa é uma regra de ouro, porque vocês mal terão conversado e a intimidade criada no cinema fará com que role uma pegação precoce com uma pessoa que você nem conhece. Mas isso é assunto para outro texto.
    Voltando, é sexta-feira, você saiu do trabalho, foi à academia e está em casa despretensiosamente sentada no sofá com o celular por acaso do seu lado. Não é que esteja esperando um convite, mas custa nada checar a cada 5 minutos. Você acaba assistindo novamente _­­­______ (substitua pelo nome do filme de romance preferido) inteiro e vai dormir, pensando que tudo bem, afinal, amanhã é sábado. E todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite.
    Então você acorda e começa o dia de Cinderela, passa no salão e já faz as unhas e a depilação. Não que você esteja esperando alguma coisa, porque você já aprendeu a não esperar nada de ninguém, mas nunca é bom ser pega de surpresa. Só que já são sete horas e começa o ritual que você já conhece, você deve ou não começar a se arrumar? E se você escutasse o meu conselho eu te diria: não, não se arrume porque você já sabe o fim. Você tenta uma última carta da manga, engole o amor próprio e resolve mandar um oi por mensagem.
    São mais de dez horas da noite e você está na cama sem vontade de viver, sem nenhuma resposta no celular, pensando em todas as formas que a pessoa pode ter morrido para não sair com você hoje. Sem chance alguma de sair, porque suas amigas já foram pra balada e sua maquiagem já borrou.
    Então chega o domingo, e depois das quatro vem a desculpa esfarrapada, e eu não preciso listar elas porque você já conhece elas também. Porque desculpas esfarrapadas sempre aparecem depois das quatro para acabar com o luto que você já havia iniciado, e então você deseja que a pessoa tivesse morrido mesmo. Desculpas verdadeiras chegam no seu celular antes de você acordar e ainda dar tempo ver a pessoa no domingo.
    Ainda que domingo seja um dia lixo, já que teoricamente a pessoa já saiu sexta e sábado, se divertiu, deu prioridade para quem tinha que dar, e como não tem nada melhor para fazer no dia resolveu querer te ver. Não aceite o dia lixo, a menos que tenha sido previamente avisado e agendado e comprovadamente stalkeado nas redes sociais que realmente era um evento que você não podia ir.
    Quanto aos demais dias da semana, nem preciso dizer que se a pessoa não quis te encontrar no fim de semana, aceitar o resto é como aceitar ser a segunda opção, o step, as migalhas, ou como você quiser chamar. Está na cara que ele não está afim de você de verdade. Já a coisa muda se vocês tiverem se visto no fim de semana, se encontrar nos outros dias é mais uma forma de contar pontos para o próximo fim de semana. E então é sexta-feira e o placar é zerado novamente para uma nova partida.