quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Para você não voltar

 Meu celular avisou uma mensagem sua, depois de semanas, e meu estômago e meu coração viraram um nó só. Abri a conversa e não era você, maldade das pessoas com nomes parecidos com o seu aparecerem na hora que eu não estou esperando uma mensagem sua. Tá bom. Rolei a lista um pouco para baixo e seu contato estava lá, calado. Eu já devia ter me acostumado com suas idas e vindas.
Você sempre soube que eu me atiraria de cabeça e iria até o fundo, por isto você se fez raso. Mas eu sabia do seu plano, ir abrindo as comportas até que eu tivesse submersa demais para fugir.Não que eu me importasse, eu sempre gostei disso em você, da surpresa, da aventura, daquele frio na barriga. Você fez as borboletas migrarem de volta para o meu estômago. E estava tudo bem.
Eu estava disposta e disponível, estava pronta para você. Aquela coisa de timing, você apareceu no momento certo, mas sumiu. Por mim estava tudo bem, porque você voltava. E talvez volte, mas era isto que eu queria pedir. Eu que nunca te pedi nada.

Por favor, não volta.

Não é que eu não esteja mais apaixonada por você, porque eu estou. E não é por não gostar mais de você, das nossas conversas quase discussões, de ficar surpresa como duas pessoas tão nada a ver podem ter tanta coisa em comum, de cancelar os planos só para ir te ver, de largar tudo, menos você. Daquela sensação de que eu tinha que correr, que o melhor era fugir.E eu corria,direto na sua direção.

Mas é difícil atingir um alvo que está sempre em movimento. E se você não quer ficar, não sou eu quem vai te impedir. E se você não gosta de mim o suficiente, eu não posso te culpar por isto. E se você tem outros planos, e outras pessoas, eu não vou ficar esperando. Logo eu, que odeio coisas inacabadas, não vou te procurar nem para dizer isto, é melhor deixar como está. Não nos falamos. Ninguém tem culpa amor, mas não foi desta vez.

sábado, 8 de agosto de 2015

Quem de dentro de si não sai

        Ontem recebi uma mensagem no whats de um cara com quem saía há algum tempo e andava sumido, me dizendo que eu quem andava sumida. Nesta hora milhares de mulheres soaram em meus ouvidos para desapegar, que eu devia não responder e me valorizar. Não dei ouvido a elas e respondi mesmo assim.
        Há algumas semanas um cara me chamou para sair numa quarta-feira. Nesta hora milhares de mulheres vieram me falar que homem que quer de verdade aparece no sábado, que eu devia não ir e me valorizar. Não dei ouvido a elas e saí com ele mesmo assim.
        Mês passado conheci um cara mais novo que eu, ele não tinha carro e eu teria que dar carona para ele. Nesta hora milhares de mulheres ficaram indignadas comigo, como eu poderia passar para buscar um homem, que eu devia sair com um cara que tivesse carro e me valorizar. Não dei ouvido a elas e passei para pegar ele mesmo assim.
        Estes dias saí com um cara que não me mandou mensagem no dia seguinte. Nesta hora milhares de mulheres resignadas me disseram que era assim mesmo, que eu devia esperar que ele aparecesse e me valorizar. Não dei ouvido a elas e mandei mensagem mesmo assim.

        Num mundo de hoje, em que o desapego se tornou mantra, qualquer um que viva diferente disto é no mínimo louco ou iludido. Eu talvez seja um pouco dos dois. Eu me recuso a engolir calada esse jogo, eu não quero fazer parte desse cartel de corações vazios, fingindo atrás de um copo de vodka, um sorriso amarelo e um mini vestido que a vida é uma festa.
        Eu estou aqui para quebrar a cara. Andar na primeira fileira de cadeira dessa montanha russa do amor, levantar os braços na hora que der aquele frio na barriga, até a volta final. E então curtir a fossa de um coração partido. As pessoas hoje em dia não tem mais o coração partido, o mais perto disto que elas chegam é conhecido como ressaca.
        E é por isto que eu continuo respondendo às mensagens, que eu saio quando quero, no meu carro ou no carro dele, e mando mensagem quando dá vontade. E por isto mesmo às vezes eu sou rejeitada, por pessoas viciadas no jogo, que não sabem como agir quando as cartas estão na mesa. Quebrei as regras, não vou ficar esperando, não vou namorar uma pessoa que... Mas eu vou continuar arriscando, sendo eu mesma, indo na contramão até encontrar alguém que também esteja indo na mesma direção. E descobrir que na verdade eu estava no caminho certo.