Você sempre
soube que eu me atiraria de cabeça e iria até o fundo, por isto você se fez
raso. Mas eu sabia do seu plano, ir abrindo as comportas até que eu tivesse
submersa demais para fugir.Não que eu me importasse, eu sempre gostei disso em
você, da surpresa, da aventura, daquele frio na barriga. Você fez as borboletas
migrarem de volta para o meu estômago. E estava tudo bem.
Eu estava
disposta e disponível, estava pronta para você. Aquela coisa de timing, você
apareceu no momento certo, mas sumiu. Por mim estava tudo bem, porque você
voltava. E talvez volte, mas era isto que eu queria pedir. Eu que nunca te pedi
nada.
Por favor, não
volta.
Não é que eu
não esteja mais apaixonada por você, porque eu estou. E não é por não gostar
mais de você, das nossas conversas quase discussões, de ficar surpresa como
duas pessoas tão nada a ver podem ter tanta coisa em comum, de cancelar os
planos só para ir te ver, de largar tudo, menos você. Daquela sensação de que
eu tinha que correr, que o melhor era fugir.E eu corria,direto na sua direção.
Mas é difícil
atingir um alvo que está sempre em movimento. E se você não quer ficar, não sou
eu quem vai te impedir. E se você não gosta de mim o suficiente, eu não posso
te culpar por isto. E se você tem outros planos, e outras pessoas, eu não vou
ficar esperando. Logo eu, que odeio coisas inacabadas, não vou te procurar nem
para dizer isto, é melhor deixar como está. Não nos falamos. Ninguém tem culpa
amor, mas não foi desta vez.