quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Me deixa tirar sua roupa hoje

        Hoje eu queria fazer um ~negócio~ diferente se você tiver afim, porque eu te quero nu, não apenas como veio ao mundo, mas também como você ficou depois que o mundo veio em você. Quero o nude da sua alma, por mais clichê que isso seja. Quero sim despido, dessa armadura que você usa e vem aperfeiçoando as skill de defesa desde que descobriu que o coração se parte. Mas, não importa porque com ou sem essa sua armadura ele já partiu em pedaços e você continuou lutando, apenas pare de lutar contra mim. Eu também tenho minha armadura e cicatrizes e posso mostrar pra você se você quiser, porque é só assim que se conhece o outro.
        Sei que dá um medo da porra abaixar a guarda e ficar vulnerável a alguém, mas eu vou pisar com cuidado nesse campo minado que é o sentimento de outra pessoa, porque eu não quero ferir ninguém, nem você, nem a mim. Eu só quero que você me ajude a construir essa ponte que eu to erguendo, cada um de um lado, nos encontramos no meio.
        Vai, me ajuda a tirar essa sua roupa, essa máscara de distante, essa auto suficiência que me empurra para longe toda vez que eu tento me aproximar de você. Me mostre a cicatriz no queixo daquela vez que você caiu de bicicleta, mas me mostra também aquela de quando sua namorada da faculdade te largou plantado na porta do apê dela num dia de chuva. Me mostra o defeito daquele seu dedo torto e aquele defeito que você tem de implicar com a sua mãe por qualquer coisa. Me mostra as suas fotos de pequeno e os textos que você escreve em segredo e nunca mostrou para ninguém.
        Mostra para mim o que você nunca mostrou para ninguém. Porque só assim eu posso ser para você o que eu nunca fui para alguém. Se nenhum de nós dois cedermos seremos apenas mais duas pessoas legais que se cruzaram na vida e seguiram, nós nunca seremos tão incríveis como podemos ser. Então tira a roupa para mim hoje, que eu também vou tirar a minha, bem devagar.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Coração pirata

Meu coração pirata é amante dos mares revoltos e das tempestades
O mar calmo me entedia, aponto para o vento à favor e velejo abrindo caminhos
Não sigo rotas, mas minha tripulação confia
Escolho a dedo os loucos, os apaixonados, os destemidos
Outros piratas de peito aberto à vida

Eu não sei pedir
Quando ancoro no porto alheio é para pilhar, saquear
Não sei ser sutil
Tomo de assalto toda paixão e carinho que carregam no peito
Eu quero tudo que pode me dar
E o que não pode também
Me entregue sua história, seus medos
Aquela parte de você que ainda pulsa que te lembra que você está vivo

Mas quando me prendem
Eu me rendo
Entrego todo o tesouro acumulado e escondido no porão da indiferença
Cada ouro e prata e jóias
Tudo
Guardado há tanto tempo dentro do peito

E quando acaba sou só mais um pirata num bar imundo
Bebendo rum e desgraçando a vida
Pobre e fodido
Mas acaba o rum, acaba a tristeza, sempre acaba
E é mais uma cicatriz no peito rasgado, mais uma história
Partimos
Outro porto, outra pilhagem, outra cicatriz.