segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O amor não vai embora



O amor nunca vai embora, ainda que ele ande passando fome, mesmo que sejam tempos difíceis para os sonhadores, ele continua aqui. Às vezes na temporada de corações gelados ele hiberna e eu atravesso os dias com um bloco de gelo no peito que dói como corte com o vento. Às vezes ele é o sol, com milhares de raios de esperança anunciando que é tempo, tempo de corações aquecidos, sentimentos acolhidos, abraços compartilhados, e olhares doces recém colhidos do pé, de amor.
Às vezes chove amor, mas as pessoas apressadas abrem seus guarda-chuvas pretos e atravessam a cidade, pessoas, corações, sem nem notarem. E eu que ando sem guarda-chuvas ergo a cabeça, abro os braços e sorrio. Chuva de amor não dói, lava a alma, leva na enxurrada toda tristeza acumulada sobre os dias.
Mas às vezes ele também é um deus em cólera, exigindo oferendas, sacrifícios e cânticos em seu altar. E na tempestade de ira arrasa tudo que vê pela frente, sentimentos, momentos, presentes, cartas, corações. Então ele fica pequeno e eu guardo ele no bolso.
E finalmente ele é calmaria, balanço na rede, sol da manhã, chocolate com marshmallow debaixo das cobertas em um dia de chuva, cafuné. E eu coloco meus pés para cima, me estico e deixo o amor crescer dentro de mim. E ele transborda. Por isto vale a pena passar por todos estes dias, vale a pena abrigar tanto amor dentro do peito, e é por isto que eu não o deixo ir. O amor não vai embora, ainda bem.