quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Vamos devagar, mas nem tanto

Você me dá um beijo rápido e se afasta, eu te abraço apertado pela cintura e tomo mais um beijo. Me beija devagar porque a vida passa tão rápido quando estamos aqui. E demora tanto quando não estamos. Você fala que eu pareço desesperada falando assim. Eu te digo que meu desespero é viver, eu sou intensa, corrijo, mas se for desespero que seja. Porque a vida corre rápido e amanhã eu posso atravessar a rua e tudo que vamos ter vai ser esse beijo rápido de despedida. Não estou sendo dramática, se a morte te assusta tanto, então amanhã esse amor todo pode acabar. Você pode atravessar a rua, olhar no relógio, são três da tarde de uma quinta-feira e o amor acabou. Porque acaba, pode vir sem alarde e te atingir como um piano caído do nono andar direto em cima de você. Ou pode ir se anunciando assim num beijo rápido, numa mensagem não respondida, na ausência, na falta que já não faz mais. Não, não estou terminando, nem falando tudo isso pra dizer que acabou. Mas vai acabar, uma hora vai acabar. Porque é assim. Porque o que a gente tem é só agora. Então me beija devagar que eu quero desacelerar o tempo só mais um pouquinho.