Hoje eu estava ouvindo aquela banda que eu adoro e pensei em
te mandar, dei o play e fiquei apreciando sozinha, melhor guardar para mim. Como
estes dias eu estava lendo um livro e imaginei você ali do meu lado no sofá
enquanto eu lia uns parágrafos em voz alta, tudo bem, melhor assim.
Você é uma presença silenciosa no meu dia, levo você comigo
no pensamento, na bolsa, nos bolsos da calça. Pequenos retratos que eu
coleciono, o seu sorriso de dentes perfeitinhos, o formato das duas unhas, seu
perfil, a bagunça que é a sua sobrancelha, aquele redemoinho no seu cabelo que
não ajeita, souvenires de você que vêm à tona sem hora programada.
Desejo imenso de te ver de novo, vontade doida de pegar o
celular e avisar que estou passando aí, vamos pegar a estrada para sei lá, se
perder, dar liberdade para minha impulsividade que você tanto adora, enquanto
você ri. Quase consigo ouvir a sua risada, aquele sopro de quando nossas bocas
estão perto, quase sinto seu beijo. Saudade dos seus beijos. De ficar instantes
eternos decorando cada defeito perfeito do seu rosto que eu tanto amo, depois
bombardear de beijos.
Guardo você em mim, menino. Quem sabe assim, quietinho,
sossegado esse amor não dá flor. Regado a chá de camomila numa tarde chuvosa
enquanto Hozier canta na playlist. Quem sabe assim, você não me guarda em você
também.