É uma
pena sermos tão desinteressantes um ao outro. Você não consegue desenvolver
mais de cinco de minutos de conversa comigo. E minhas tentativas de te
impressionar ou de ser engraçada de alguma forma são terrivelmente miseráveis.
É frustrante, para não dizer humilhante, como duas pessoas tão interessantes e
divertidas não conseguem o mínimo de fluidez na prosa. Às vezes eu até consigo
visualizar dois primatas, você batendo com um porrete no chão e eu puxando os
cabelos, enquanto fazemos sons tentando nos comunicar. Não nos entendemos. É
mais fácil aprender japonês em braille.
Então
por que nos impomos a desconfortável presença um ao outro? Por que de alguma
forma estranha nossas línguas falam o mesmo dialeto quando em contato? Como
nossos corpos reagem imediatamente à aproximação, negando que há alguns minutos
atrás havia uma nuvem cinza de desconforto pairando sobre aquele terrível
encontro kármico.
Somos
primatas. E somos ótimos nisso. Ainda que para isto tenhamos que sofrer terríveis
dores impostas pelos bons modos de convívio social. Somos aquele aperto de mão
que não conseguimos organizar, naquela dancinha da humilhação "opa, duas
mãos direitas!" "trocou, duas esquerdas agora, legal" "dá
um abraço aqui e um tapinha nas costas". Maldito tapinha nas costas.
Nós
somos as pessoas erradas, não tem essa de momento certo, nem hora errada. Nós
não combinamos. Aceita que dói menos. Acontece, a gente tentou, duas vezes. Mas
de boas, você é legal, juro, obrigada, que bom que você acha isso de mim. A
vida segue, a gente se vê por aí.
Caramba,
o que foi que aconteceu aqui?
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