Eu não sei fazer poema, mas se eu soubesse você seria dona
de todas as minhas métricas e rimas, escreveria em dodecassílabos, versos alexandrinos
dos maiores trovadores. Como não sei escrever poema algum, minha poesia é você.
E você é mais perfeita que todos os versos de Pessoa, as ninfas a invejam, ou
quase, porque não sou um poeta e não faço jus à inspiração que bebo em sua
fonte. Mas se eu fosse um poeta, eu escreveria sobre você.
Eu não sei fazer música, mas se eu soubesse você iria ser
dona de todas as minhas notas e melodias, comporia intermináveis sinfonias em
sintonia com seu coração. Como não sei fazer música alguma, minha música é
você. E você é mais perfeita que todos os vocais de Freddie Mercury, as groupies
morrem de inveja, ou morreriam, se eu fosse um músico, mas sou apenas um
apreciador do som da sua voz. Mas se eu fosse um músico, eu cantaria você.
Eu não sei fazer pintura, mas se eu soubesse você seria o
retrato em todos os meus quadros e recortes, iria incansavelmente buscar
acertar o tom exato dos seus olhos verdes em cada mudança sua. Como não sei
pintar coisa alguma, minha pintura é você. E você é mais perfeita que todas as
cores de van Gogh, as musas se cobrem de raiva, ou deveriam, se eu fosse um
pintor, mas sou apenas um observador das nuances dos seus cabelos. Mas se eu
fosse pintor, eu retrataria você.
Eu sou só um escritor torto, não sou barato, porque na
verdade eu não valho nada. O que eu sei é escrever, e você é o tema em todos os
meus escritos e trechos, o contexto em cada palavra que eu escolho. Você é
todos os meus textos, meus rabiscos de versos, você é aquela frase escrita num
guardanapo, você é minha tentativa de poesia, e você é maior do que tudo isso. Eu nunca vou conseguir colocar você neste papel, mas o que eu tenho é mais este
texto. E ele é, como sempre, para você.
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