quarta-feira, 27 de abril de 2016

Vou te guardar só para mim

        Hoje eu estava ouvindo aquela banda que eu adoro e pensei em te mandar, dei o play e fiquei apreciando sozinha, melhor guardar para mim. Como estes dias eu estava lendo um livro e imaginei você ali do meu lado no sofá enquanto eu lia uns parágrafos em voz alta, tudo bem, melhor assim.
        Você é uma presença silenciosa no meu dia, levo você comigo no pensamento, na bolsa, nos bolsos da calça. Pequenos retratos que eu coleciono, o seu sorriso de dentes perfeitinhos, o formato das duas unhas, seu perfil, a bagunça que é a sua sobrancelha, aquele redemoinho no seu cabelo que não ajeita, souvenires de você que vêm à tona sem hora programada.
        Desejo imenso de te ver de novo, vontade doida de pegar o celular e avisar que estou passando aí, vamos pegar a estrada para sei lá, se perder, dar liberdade para minha impulsividade que você tanto adora, enquanto você ri. Quase consigo ouvir a sua risada, aquele sopro de quando nossas bocas estão perto, quase sinto seu beijo. Saudade dos seus beijos. De ficar instantes eternos decorando cada defeito perfeito do seu rosto que eu tanto amo, depois bombardear de beijos.

        Guardo você em mim, menino. Quem sabe assim, quietinho, sossegado esse amor não dá flor. Regado a chá de camomila numa tarde chuvosa enquanto Hozier canta na playlist. Quem sabe assim, você não me guarda em você também.

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