O amor nunca
vai embora, ainda que ele ande passando fome, mesmo que sejam tempos difíceis
para os sonhadores, ele continua aqui. Às vezes na temporada de corações
gelados ele hiberna e eu atravesso os dias com um bloco de gelo no peito que
dói como corte com o vento. Às vezes ele é o sol, com milhares de raios de
esperança anunciando que é tempo, tempo de corações aquecidos, sentimentos
acolhidos, abraços compartilhados, e olhares doces recém colhidos do pé, de
amor.
Às vezes chove
amor, mas as pessoas apressadas abrem seus guarda-chuvas pretos e atravessam a
cidade, pessoas, corações, sem nem notarem. E eu que ando sem guarda-chuvas
ergo a cabeça, abro os braços e sorrio. Chuva de amor não dói, lava a alma,
leva na enxurrada toda tristeza acumulada sobre os dias.
Mas às vezes
ele também é um deus em cólera, exigindo oferendas, sacrifícios e cânticos em
seu altar. E na tempestade de ira arrasa tudo que vê pela frente, sentimentos,
momentos, presentes, cartas, corações. Então ele fica pequeno e eu guardo ele
no bolso.
E finalmente
ele é calmaria, balanço na rede, sol da manhã, chocolate com marshmallow
debaixo das cobertas em um dia de chuva, cafuné. E eu coloco meus pés para
cima, me estico e deixo o amor crescer dentro de mim. E ele transborda. Por
isto vale a pena passar por todos estes dias, vale a pena abrigar tanto amor
dentro do peito, e é por isto que eu não o deixo ir. O amor não vai embora,
ainda bem.
Chuva de amor não dói!!! :) Adorei.
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