segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Eu comi o bolo que você me deu

    A conversa fluiu a semana toda, ficou subentendido vontade de se verem no fim de semana, e Tim Maia que já conhecia bem a sensação vira trilha sonora na mente porque “A semana inteira fiquei esperando pra te ver sorrindo, pra te ver cantando”. E no fim das contas a gente só quer é amar mesmo, ainda que esteja difícil hoje em dia. Mas, enfim é sexta-feira, e inicia o cronômetro da ansiedade assim que acaba o expediente e sua amiga de trabalho te sorri marota. Afinal de contas ela sabe, o porteiro sabe, todo mundo sabe, que o fim de semana promete.
    E isso porque existem regras não escritas sobre os encontros, e o mais importante deles é saber o dia e o jeito certo de convidar. Parece neurose feminina, mas estudos realizados com duas amigas e minha experiência pessoal apontam que eu sei do que eu estou falando. Ainda que a sexta-feira não seja um dia ideal, já que como todo mundo sabe o sábado é o dia mais importante da semana. Um encontro casual na sexta é ótimo para reservar o sábado. Vale sair para tomar uma cerveja, comer uma pizza, só não vá ao cinema se for o primeiro encontro. Essa é uma regra de ouro, porque vocês mal terão conversado e a intimidade criada no cinema fará com que role uma pegação precoce com uma pessoa que você nem conhece. Mas isso é assunto para outro texto.
    Voltando, é sexta-feira, você saiu do trabalho, foi à academia e está em casa despretensiosamente sentada no sofá com o celular por acaso do seu lado. Não é que esteja esperando um convite, mas custa nada checar a cada 5 minutos. Você acaba assistindo novamente _­­­______ (substitua pelo nome do filme de romance preferido) inteiro e vai dormir, pensando que tudo bem, afinal, amanhã é sábado. E todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite.
    Então você acorda e começa o dia de Cinderela, passa no salão e já faz as unhas e a depilação. Não que você esteja esperando alguma coisa, porque você já aprendeu a não esperar nada de ninguém, mas nunca é bom ser pega de surpresa. Só que já são sete horas e começa o ritual que você já conhece, você deve ou não começar a se arrumar? E se você escutasse o meu conselho eu te diria: não, não se arrume porque você já sabe o fim. Você tenta uma última carta da manga, engole o amor próprio e resolve mandar um oi por mensagem.
    São mais de dez horas da noite e você está na cama sem vontade de viver, sem nenhuma resposta no celular, pensando em todas as formas que a pessoa pode ter morrido para não sair com você hoje. Sem chance alguma de sair, porque suas amigas já foram pra balada e sua maquiagem já borrou.
    Então chega o domingo, e depois das quatro vem a desculpa esfarrapada, e eu não preciso listar elas porque você já conhece elas também. Porque desculpas esfarrapadas sempre aparecem depois das quatro para acabar com o luto que você já havia iniciado, e então você deseja que a pessoa tivesse morrido mesmo. Desculpas verdadeiras chegam no seu celular antes de você acordar e ainda dar tempo ver a pessoa no domingo.
    Ainda que domingo seja um dia lixo, já que teoricamente a pessoa já saiu sexta e sábado, se divertiu, deu prioridade para quem tinha que dar, e como não tem nada melhor para fazer no dia resolveu querer te ver. Não aceite o dia lixo, a menos que tenha sido previamente avisado e agendado e comprovadamente stalkeado nas redes sociais que realmente era um evento que você não podia ir.
    Quanto aos demais dias da semana, nem preciso dizer que se a pessoa não quis te encontrar no fim de semana, aceitar o resto é como aceitar ser a segunda opção, o step, as migalhas, ou como você quiser chamar. Está na cara que ele não está afim de você de verdade. Já a coisa muda se vocês tiverem se visto no fim de semana, se encontrar nos outros dias é mais uma forma de contar pontos para o próximo fim de semana. E então é sexta-feira e o placar é zerado novamente para uma nova partida.

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