Todo mundo quer saber do seu estado civil, ou como se diz atualmente, seu status de relacionamento. Desde suas redes sociais, a tia que mora longe e só vem almoçar com a família pra saber se você desencalhou, até a amiga da sua mãe que quer exibir a nova namorada do filho. Porque um relacionamento é exatamente isso: um status. É uma forma de você provar para todo mundo que é uma pessoa de família, confiável, e que seu relacionamento é melhor que todos os outros. Você é O cara. Ou A mulher mais realizada do mundo.
A bem verdade é que relacionamento sempre foi um comércio (assista a brilhante palestra de Yann Dall’Aglio e você vai compreender). Mas com as redes sociais os relacionamentos estão passando por uma grande especulação. De acordo com o dicionário do investidor, especulação: geralmente uma negociação baseada em especulação envolve uma grande possibilidade de lucro junto com um grande risco, pois tais expectativas podem se concretizar ou não. E esse é um grande problema atual dos relacionamentos. A experiência é reduzida a um investimento, com altas expectativas, em que todos querem ter lucro, traduzido em um relacionamento que deu ou não certo.
Limitamos uma experiência complexa de conhecimento interior e exterior, de partilha de sentimentos e ações a um resultado simples. Fazemos uma listinha de pré-requisitos, damos um check nas informações via facebook, e começamos a alimentar as expectativas. Se antigamente as opções eram a quantidade de terras, de cabeças de gado, a influência da família. Hoje em dia os parâmetros não mudaram muito, o que temos é maior marketing pessoal, com tantas selfies, consumo e a ostentação.
E a qualidade dos relacionamentos estão aumentando? Com tanta exposição de jantares perfeitos, pedidos de casamento minuciosamente planejados e filmados, declarações de fazer Shakespeare chorar, estamos criando ilusões de pessoas e relacionamentos perfeitos. Porém conhecemos cada vez menos a pessoa com quem nos relacionamos, namoramos o ideal de como a gente quer que o outro seja. Só nos disponibilizamos a sair com alguém que queira um relacionamento sério, casamento e filhos, se a pessoa for legal mas tiver dúvidas ou deixar claro que não quer nada “sério”, então não vale a pena.
Mas será mesmo? Será que não vale dar uma chance para aquele amigo legal que mora sozinho mas tá sempre quebrado, e aquele carinha mais novo que tem um papo legal, e aquele amigo desencanado que está sempre aberto para experiências. Se você reparar bem há muitas pessoas interessantes por aí, e não necessariamente todas são para casar. Até porque, essa é uma classificação ordinária. Se você se limitar a conhecer apenas o seu tipo de pessoa pode perder a chance de ter uma experiência incrível, ou talvez nem tão incrível. Mas certamente você irá se surpreender. E aí? Que tal ter um relacionamento aberto com suas escolhas?
Gostei Rafaela...
ResponderExcluirObrigada mãe!!
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