De novo aquela saudade de nada, pior que sentir muita saudades de alguém, é não ter alguém para sentir saudade. É só aquela carência enchendo o saco de novo, na vontade de pegar o primeiro e o segundo idiota que parecer estar afim, e o terceiro... Porque eles nunca parecem afim de verdade, sempre falta alguma coisa. Nem os primeiros beijos tem mais aquela magia de "é esse!".
E essa saudade vazia que me incomoda no peito, não tem força nem para chorar, nem para ter do que reclamar direito.Tá tudo indo bem, tudo normal. Esses dias que nada acontece. Os mesmos lugares de sempre, os mesmos caras de sempre, os homens vazios a cada duas semanas, as músicas de sempre. E no mesmo lugar comum você espera encontrar alguém que seja o menos comum possível.
Talvez seja falta daquelas borboletas no estômago, de não saber onde as mãos ficam melhor, de fazer cara de boba, de ter tantos detalhes para decorar e ficar relembrando depois, de receber mensagens de madrugada, de ter para quem ligar a qualquer hora, de sentir saudades, mas que se pode matar logo. Ai que saudade de sentir saudade!
Não faltam conselhos para as amigas, a pose de bem resolvida, de "não quero ninguém agora", a mesma fala decorada de sempre "homem é tudo igual", é, menos aquele que vai ser meu. E lá se vai de novo reparando no cara que entra na porta, campeão de torcer pescoços femininos. Ahaam, está bem sozinha. Ah tá.
A verdade é que nunca fui muito bem nessa história de ficar sozinha e nem quero ser. Mas por enquanto vou ficando amiga dessa saudade boba aqui. Uma hora alguma coisa acontece e muda meu mundo. E então adiós saudade! Pego o primeiro expresso via felicidade com acompanhante, e não penso em voltar tão cedo, ou nunca mais.
Saudade é bom, sentir saudades é muito bom, mas é bem melhor quando a saudade tem nome. E que seja bem melhor do que carência. Saudade que é boa tem nome de pessoa, e cheiro, e gosto, e telefone e endereço, que é para você poder acabar com ela logo. Saudade é legal, mas tem limite.
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